Dia-a-Dia no Divã

Reflexões sobre o desenvolvimento emocional e os seus entraves

29.6.09

FILHO IDEAL X FILHO REAL: SOBRE AS EXPECTATIVAS DOS PAIS

Um filho nasce, na verdade, mesmo antes do seu nascimento, isto é, quando um casal se une e sonha em constituir uma família, já naquele momento a futura criança passa a existir na imaginação dos futuros pais. Quantos jovens namorados escolhem os nomes dos seus improváveis filhos? Quantos deles sonham que terão um casal de filhos, com certa diferença de idade entre eles e que a menininha será loira como a mãe e o menininho será teimoso como o pai? Quando surge a gravidez amplia-se esse campo fértil em que todo tipo de expectativa e idealização, em relação ao futuro bebê, é colocado em marcha. O bebê passa a ser “sonhado” pelo casal; sonho que já define qual será o seu lugar na atmosfera emocional da família. Essas coisas sempre se dão dessa maneira e faz parte da natureza humana; todos nós, desejados ou não, somos frutos dessa expectativa dos nossos pais. O problema surge quando não há outro destino possível para a criança e ela precisa atender, a qualquer custo, as exigências dos seus pais. São pais bem intencionados, mas que não percebem que aprisionam os seus filhos numa trama, muitas vezes, incompreensível para todos. Essas crianças se tornam inseguras e incapazes de se sentirem boas o suficiente porque sentem que nunca poderão agradar, verdadeiramente, os seus pais. Lembro-me de um garoto de oito anos a quem darei o nome de Mário. Seus pais se preocuparam porque Mário se isolava e apresentava dificuldades na escola tanto na aprendizagem quanto no convívio com os outros garotos. Mário sentia-se inseguro e sempre tinha dúvidas se estava fazendo a coisa certa. Seus pais eram inteligentes, fortes e vaidosos e não podiam, inconscientemente, aceitar que seu filho tivesse algum tipo de dificuldade ou fraqueza. Mário foi “sonhado” pelos pais como um menino ideal, mas ele não conseguia atender a pressão desse ideal. Para Mário não seria possível ser médico, bem-sucedido e engraçado como seu pai e, portanto, ele seria nada. Aos poucos, percebemos que Mário interessava-se por música e era muito talentoso com as palavras. Ele era inteligente, sensível e com humor refinado. Seus pais precisaram de ajuda para elaborar o luto daquele filho idealizado que, de fato, nunca existiu. Aos poucos, foi surgindo um Mário que queria experimentar as coisas do seu próprio jeito, mas que precisava, sobretudo, do verdadeiro consentimento e reconhecimento de seus pais. Assim, aos poucos, surgia o verdadeiro Mário…

criado por luputini    17:33:28 — Arquivado em: ARTIGOS

1 Comentário »

  1. Comentário por Jacqueline Deschamps — 8.6.10 @ 10:44:31

    Bom Dia,
    Li seu artigo e peço licença para utiizar trechos em minha palestra no curso com pretendentes para adoção aqui em Itajaí SC.
    muito significativo seu discurso.
    Atenciosamente
    jacqueline

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